sexta-feira, 29 de julho de 2016

Resenha - O Caderninho de Desafios de Dash e Lily

O Caderninho de Desafios de Dash e Lily
O Caderninho de Desafios de Dash e Lily
David Levithan e Rachel Cohn
Livro cedido pela editora
Número de páginas:256
Editora: Galera Record
Classificação: 
Sinopse: O novo livro de David Levithan e Rachel Cohn que juntos escreveram Nick e Nora Uma noite de amor e música acompanha a dupla Lily e Dash. Ela está doida pra se apaixonar e, pra encontrar o par perfeito, decide criar um caderninho cheio de tarefas e deixá-lo na livraria mais caótica de Manhattan. Quem encontra o moleskine é Dash, e os dois começam a se corresponder e trocar sonhos, desafios e desejos no caderninho, que vai se perdendo nos mais diversos lugares de Nova York.

Que a dupla David Levithan e Rachel Cohn dá certo a gente já sabe desde a "Nick e Norah uma noite de amor e música" e "Naomy & Ely e a lista do não beijo" mas eles atacam novamente com uma bolha de fofura natalina nosso coração com "O Caderninho de Desafios de Dash e Lily". Venho aqui hoje contar para vocês um pouco mais desse livro fofo e como foi essa leitura deliciosa. 


Nesse livro temos personagens opostos se encontrando para viver uma história de amor ambientada em uma Nova York em época de natal, me diz se tem como dar errado? Não tem né gente!
Dash é um rapaz de 16 anos que odeia o natal, as pessoas se amontoando e toda a hipocrisia da época. Ele, que tem os pais separados, decide que nesse ano não vai comemorar o natal, e com algumas mentirinhas consegue conversar o pai de que vai passar o natal com a mãe e a mãe de que vai passar com o pai, e acaba conseguindo ficar sozinho em casa nessa época que tanto odeia.
Já Lily ama o natal, adora as festividades e tudo que tem a ver com a época natalina. Tudo que ela mais ama é viver intensamente essa época com a familia. O problema é que nesse natal seus pais decidem viajar para comemorar o aniversario de casamento, seu avô vai para a Florida encontrar com a namorada e o irmão está envolvido com seu novo namorado e não tem tempo nenhum para Lily. 
“[...] - Quero dizer que o amor que senti por ele foi enorme e real, e, apesar de doloroso, me mudou eternamente como pessoa [...] As pessoas importantes em nossas vidas deixam marcas. Elas podem ficar ou não no plano físico, mas existem para sempre no coração, porque ajudaram a formá-lo. Não dá para esquecer isso.”
É a partir da solidão de Lily que surge a ideia do caderninho. O irmão da garota decide que ela precisa de um amor e para encontra-lo, juntos mas meio a contra-gosto da garota, eles criam uma maneira de encontrar um boy magia para menina. Eles criam um caderno com tarefas que só a pessoa ideal para Lily conseguiria completar. A ideia inicial seria a pessoa entrar em contato com a garota através de um e-mail só que Dash é essa pessoa e ele decide entrar na brincadeira criando novos desafios para Lily. Com isso eles passam a trocar ideias e se conhecem através daquilo que vão escrevendo no caderninho de desafios. 


Ao longo do livro somos transportados para diferentes pontos turísticos de Nova York e podemos conhecer tudo aquilo que a cidade tem a oferecer na época do natal. Rachel e David possuem um verdadeiro talento para criar personagens com personalidades fortes e interessantes. Mais uma vez encontramos pessoas malucas e personagens principais com sentimentos complexos e interessantes. Lily é sensível e muito inocente para sua idade, ao passo que Dash é todo hipster livre porém totalmente pessimista. Mesmo com essas diferenças os dois possuem muitas coisas em comum e ao longo da história começamos a torcer para que fiquem juntos. A familia de Lily é super explorada e conhecemos seu irmão e o namorado que são super fofos, seu avô que é um apaixonado inveterado e sua tia Ida que é um ótimo cupido. Dos amigos de Dash aquele que acho mais legal destacar é Boomer, um cara super doido com um senso de humor bem ridículo mas com quem a gente simpatiza já de cara.


Vocês já sabem que amo YA's e que vou protege-los, não tem como não curtir uma leitura leve e gostosinha assim. A história é amarradinha e o romance vem na dose certa. Adolescentes desajustados sempre me atraem por que eu fui uma aborrecentezinha assim. <3 Quero amar muito esses livros que conseguem mostrar relacionamentos familiares de maneira clara sem fazer uma grande coisa em volta disso. O livro tem sua seriedade mas ao mesmo tempo a leveza para tratar desses assuntos. Família é importante, amizade e amor também, e nem sempre precisa existir UM GRANDE PROBLEMA para a história se tornar interessante. Rachel e David conseguem fazer isso sempre, um livro sessão da tarde, que a gente lê rapidinho e fica suspirando. Então se você quer relaxar e ficar felizinho, é essa a leitura que indico! Vamos amar esse livrinho juntos!

terça-feira, 26 de julho de 2016

Resenha - Cidade dos Etéreos


Cidade dos Etéreos
Cidade dos Etéreos 
Ransom Riggs
Livro cedido pela editora
Número de páginas: 384
Editora: Intrínseca
Classificação: 
Sinopse: Cidade dos Etéreos dá sequência ao celebrado O orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares, em que o jovem Jacob Portman, para descobrir a verdade sobre a morte do avô, segue pistas que o levam a um antigo lar para crianças em uma ilha galesa. O orfanato abriga crianças com dons sobrenaturais, protegidas graças à poderosa magia da diretora, a srta. Peregrine.
Neste segundo livro, o grupo de peculiares precisa deter um exército de monstros terríveis, e a srta. Peregrine, única pessoa que pode ajudá-los, está presa no corpo de uma ave. Jacob e seus novos amigos partem rumo a Londres, cidade onde os peculiares se concentram. Eles têm a esperança de, lá, encontrar uma cura para a amada srta. Peregrine, mas, na cidade devastada pela guerra, surpresas ameaçadoras estão à espreita em cada esquina. E, além de levar as crianças a um lugar seguro, Jacob terá que tomar uma decisão importante quanto a seu amor por Emma, uma das peculiares.
Telecinesia e viagens no tempo, ciganos e atrações de circo, malignos seres invisíveis e um desfile de animais inusitados, além de uma inédita coleção de fotografias de época — tudo isso se combina para fazer de Cidade dos etéreos uma história de fantasia comovente, uma experiência de leitura única e impactante.

Cidade dos Etéreos é o segundo livro da trilogia O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. O terceiro volume da série Biblioteca de Almas, chega às livrarias dia 19 de agosto e, assim como Cidade dos etéreos, terá capa dura, sobrecapa e páginas coloridas. Além disso, em setembro, a Intrínseca publica também Contos peculiares, coleção inédita de contos de fadas relacionados à série.


sábado, 23 de julho de 2016

Resenha - O Árabe do Futuro

O árabe do futuro
O Árabe do Futuro
Riad Sattouf
Livro cedido pela editora
Número de páginas: 160
Editora: Intrínseca
Classificação: 
Sinopse: Nascido na França em 1978, filho de pai sírio e mãe bretã, Riad Sattouf viveu uma infância peculiar. Ele tinha apenas três anos quando o pai recebeu um convite para lecionar em uma universidade da Líbia. Em Trípoli, o menino entrou em contato com uma cultura completamente distinta e precisou superar o estranhamento diante de novos costumes — experiência que se repetiria pouco depois na Síria, quando o pai foi trabalhar lá.
Com o olhar inocente de uma criança, Riad oferece um importante relato sobre os contrastes entre a vida plácida na França socialista de Mitterrand e os regimes autoritários na Líbia de Kadafi e na Síria de Hafez al-Assad. A partir de suas próprias lembranças e sensações, o autor descreve como foi adaptar-se a realidades tão díspares e mostra detalhes de sua vida em família e da relação com outras crianças.
O árabe do futuro é um relato literário pleno em forma de graphic novel: com traço simples e narrativa fluida e descontraída, Riad fornece ao mesmo tempo uma análise antropológica do embate entre o Ocidente e o mundo árabe e um autorretrato de sua própria infância plural.

Estava muito curiosa quanto a leitura dessa graphic novel, admito que sou meio novata nesse mundo de graphics por isso estou super disposta a ler todas as que conseguir. Mas essa me chamou a atenção por ter esse foco em personagens de descendência árabe. Havia lido a pouco tempo a graphic iraniana Persepólis e gostei muito, por se tratar também de uma autobiografia em formato de novela gráfica "O árabe do futuro" entrou na minha lista de desejados, e tenho que dizer que conseguiu atingir minhas expectativas. Vamos a resenha?


Como já disse antes, O Árabe do Futuro é uma graphic novel biográfica, ela acompanha os primeiros anos de Riad Sattouf. Nascido na França filho de uma mãe francesa nascida na Bretanha e de um pai árabe imigrante de uma pequena aldeia síria, Riad possui caracteristicas físicas muito diferentes daquelas da familia de seu pai, Abdel-Razak Sattouf, seus cabelos encaracolados e loiros são motivos constantes de adulações e carinhos por parte de todos os adultos que encontra. Essa é uma graphic biográfica, com foco no próprio Riad, mas a história desse primeiro volume é quase inteiramente voltada para seu pai, Abdel. Riad como todo menino vê em seu pai um grande herói e com isso vamos acompanhando toda a ideologia e as crenças que Abdel passa para Riad.
Na graphic acompanhamos todos os momentos da vida de Riad, inclusive aqueles em que ele ainda não estava presente, como a maneira como seus pais se conheceram e como vieram a ficar juntos. Todos os momentos da história são regados de ironia e muitas situações cômicas são apresentadas ao leitor. Ao longo da infância de Riad a familia se desloca entre França, Líbia e Síria sempre motivados pela vontade de seu pai de manter a familia ligada a cultura e aos costumes sírios e por suas opiniões politicas. Abdel acredita numa nova forma de ser árabe, é contra o forte fanatismo e a favor da educação e do avanço do povo muçulmano na modernidade, mas obviamente carrega consigo muito preconceitos e caracteristicas culturais questionáveis para nós ocidentais. 




O mais interessante neste primeiro volume é a maneira como o olhar infantil de Riad reage as situações tensas e muitas vezes hostis em que ele e a familia são colocados quando inseridos no ambiente Sírio. Seu pai possui vários momentos de hipocrisia e propaga muitas vezes discursos questionáveis mas ainda assim através dos olhos do autor e da inocência infantil conseguimos enxergar esses momentos mais de maneira cômica, como chacota, do que de maneira ofensiva.
A maneira como o quadrinista utiliza as cores ao longo da graphic também é bastante interessante. Com a paleta quase monocromática ele acompanha as cores das bandeiras dos locais para onde a familia se desloca e escolhe uma delas para elencar os capítulos onde os personagens se encontram. Os traços são simples porém claros, o foco é total na história desenvolvida, não dando espaço para páginas com ilustrações muito elaboradas.


Essa é uma graphic que em alguns momentos pode trazer indignação ao leitor, mas a forma como o autor traz o humor consegue fazer com que entendamos que são fatores culturais que causam essa estranheza. Riad Sattouf é ex-colaborador do controverso jornal francês Charlie Hebdo e tem em sua bagagem o humor acido e irônico que percebemos ao longo de "O Árabe do Futuro". A Intrínseca deu um tiro certeiro ao trazer a obra para o Brasil e espero em breve ter a oportunidade de ler os demais volumes dessa história.
 
Livrologias, por Camila Teixeira © 2015
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