Resenha do livro Clareza em textos de e-gov, uma questão de cidadania

Já não é de hoje que a população vem pedindo mais transparência dos governantes. Em um sociedade livre e democrática, o Estado serve ao povo e a ele deve prestar contas. Por isso, o governo deve adotar uma série de medidas para garantir que a população consiga facilmente acessar as informações que procura em seus bancos de dados.

No entanto, despejar um monte de números, gráficos, estatísticas, jargões e termos técnicos sobre os cidadãos de conhecimento médio, que não têm instrução e nem tempo para decifrá-lo, é quase o mesmo que guardar segredo. Quem nunca desistiu de ler um texto do governo por conta de seu alto grau de complexidade? Pior ainda é acabar de ler um texto e ficar com a impressão de que não entendeu bulhufas.

Clareza em textos de e-gov, uma questão de cidadania

Clareza em textos de e-gov, uma questão de cidadania

É nesse contexto que entra a obra Clareza em textos de e-gov, uma questão de cidadania. Escrito por Heloisa Fischer, o livro aborda um tema que já deveria estar enraizado na prática da Administração Pública: Linguagem Clara ou plain language.

Mas o que é linguagem clara? Se entendi bem, é uma linguagem concisa, bem organizada, livre de jargões e tecnicismos, capaz de transmitir ao leitor uma mensagem direta que pode ser entendida logo na primeira leitura. Para simplificar ainda mais, é uma linguagem que o povo entende e, por meio da qual, consegue rapidamente identificar o que procura.

Sob essa bandeira, a autora vai perpassando por momentos e locais históricos onde começava a surgir a preocupação por uma escrita mais simples. Líderes de diversos lugares do mundo exigiam que papéis e documentos fossem escritos com uma linguagem mais compreensível.

Ela continua explicando como alguns países tornaram-se marcos no quesito clareza de seus textos. Apresenta fatos e pesquisas que mostraram o avanço e o desenvolvimento do tema, além de explicar os diversos requisitos adotados pelos especialistas para classificar um texto como de fácil inteligibilidade.

Atravessando o mundo, Fischer chega ao Brasil exibindo um índice de escolaridade, alfabetismo e letramento em que aponta as principais deficiências na educação brasileira. Ora, “mais de um quarto da população brasileira entre 15 e 64 anos ou não consegue ler ou consegue apenas localizar informações explícitas e literais em textos muito simples que usem palavras familiares”.

Como essas pessoas conseguiriam lidar com textos extremamente complexos como os da nossa querida Administração? Nem mesmo a internet pareceu amolecer a burocracia do Estado. Os sites são pouco intuitivos, mal organizados e você terá que procurar o dia todo para encontrar alguma coisa. Isso se eles não apresentarem nenhum erro ou mal funcionamento. 

Clareza em textos de e-gov, uma questão de cidadania foi escrito de uma maneira tão simples, objetiva e de fácil compreensão ? até mesmo para dar o exemplo ?,  que quase não aparenta tratar-se de um trabalho acadêmico, mais precisamente, de uma monografia. Para quem se interessou no tema, recomendo ler o livro. Ele oferece uma rica argumentação, além das pesquisas bem construídas. Heloisa fez um grande trabalho sintetizando os principais anseios acerca da clareza dos textos que o governo vem tentando timidamente implementar em nosso país.

O Brasil ainda é um país muito atrasado nesse assunto. Eu não sou nenhum especialista em linguagem clara, mas, fazendo uma pesquisa na internet, encontrei poucas fontes em português que a abordem profundamente.

São, normalmente, breves definições que pouco ou quase nada contribuem para uma possível implementação prática. Clareza em textos de e-gov, uma questão de cidadania inova bastante e traz novas discussões para a mesa. Afinal, como o próprio livro diz, é direito de todo e qualquer cidadão ser informado para poder legitimar e exercer o controle sobre os atos do governo.

2 Comentários para “Resenha do livro Clareza em textos de e-gov, uma questão de cidadania”

  1. Eu sempre imagino que ninguém gosta de facilitar muito as coisas para as massas pq assim é mais fácil fazê las de bobas. Um dia elas percebem que não precisam de vc e simplismente te tiram de lá, é melhor ser alienado pra eles.

    1. Que nada! Isso tudo é mais que balela, não passa de um argumento sem nenhuma base ou credibilidade. Na maioria das vezes o que falta mesmo é percepção dos técnicos que redigem os textos. Falo isso por experiência própria; as pessoas não ficam preocupadas em tornar as coisas mais difíceis não.
      O que acontece é que nós, servidoras e servidores públicos, nem sempre nos damos conta do público para o qual escrevemos. No entanto, muito disso já não é assim mais não. Nós próprios cursos de jornalismo isso já é bem enfatizado.

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