Breve Resumo do livro As Viagens de Gulliver de Jonathan Swift

Quando li este romance, sabia que era uma obra muito famosa, mas não imaginava se tratar de um dos maiores, senão o maior, clássicos da literatura inglesa de todos os tempos. Por isso, resolvi escrever um pequeno resumo do livro As Viagens de Gulliver

As viagens de Gulliver Capa

Publicado após o sucesso de Robinson Crusué de Daniel Defoe, As Viagens de Gulliver se tornou um precursor dos romances modernosEscrito por Jonathan Swift no início do século XVIII para ser uma sátira da humanidade e dos livros sobre viagens, rapidamente o livro se tornou sucesso mundial.

A obra de ficção com um toque de fantasia foi criada para criticar as histórias sobre naufrágios em ilhas desertas onde o personagem não dependia de mais ninguém para sobreviver, já que, em suas viagens, Gulliver sempre dependeu dos povos nativos.  Assim, para ele, o indivíduo não precede a sociedade.

Além disso, critica também a humanidade e a sociedade inglesa, com destaque para a rainha Anne, por quem o autor não tinha nenhuma apreciação, e o judiciário, com o qual teve diversos problemas durante sua vida literária.

Temas como misantropia ou, como alguns estudos feministas sugerem, misoginia aparecem por todo o livro, principalmente em sua quarta parte quando o protagonista vai ao país dos  Huyhnhnms.

A obra foi adaptada para diversas outras áreas, servindo de inspiração para peças de teatro e, inclusive, um filme de mesmo nome. Mas o filme só retrata sua primeira viagem e nem de longe entra tão profundamente nessas críticas tão polêmicas. Na verdade, o filme nem sequer se preocupa com isso e, para extrair alguma referência dele, necessário seria ler a obra de Swift.

Resumo da Primeira Viagem de Gulliver

VIAGEM AO PAÍS DE LILIPUTE

A narrativa começa com uma pequena introdução de Gulliver, um cirurgião que deseja conhecer o mundo, e sua família.

Em sua primeira jornada, o navio naufraga, deixando-o à deriva no mar. Depois de muito nadar e deixar a correnteza o levar, chega à costa de uma ilha e deita-se para descansar, caindo num sono profundo. Ao acordar, percebe que está amarrado por pequenos fios e que seres miúdos o observam bem de perto.

Os pequenos habitantes da ilha então dão-lhe o que comer e beber e constroem um grande carro para levá-lo como prisioneiro até a cidade. Recebe a visita do imperador e de outros liliputianos que ficam maravilhados com seu bom comportamento e sua conduta pacífica.

Resumo do Livro as viagens de Gulliver

O imperador então discute com seu conselho que a permanência de tamanha criatura no país traria enormes gastos, mas sua morte levaria uma peste direto à cidade e acometeria todo o reino em virtude do mau cheiro.

Decidem então deixá-lo livre e custearem sua alimentação temporariamente e sob certas condições: Não poderia pisar em nenhum habitante e nem danificar qualquer construções. Desde que chegara, Gulliver havia começado a aprender a língua local.

Em pouco tempo muitos o adoravam e outros o invejavam. Certo dia foi convencido a rebater uma invasão dos Blefuscu, um povo revoltado que não admitia a nova forma de cortar o ovo. Entrando no mar e puxando os navios dos inimigos com pequenas cordas, lança o grito de vitória ao imperador.

Um breve resumo de as viagens de Gulliver

Sua ajuda não termina aí, quando o palácio estava pegando fogo, parte a urinar no incêndio para apagá-lo, mas os aposentos da rainha ficam inundados de urina. Ela, ultrajada, nega-se a dormir lá novamente.

pequeno resumo do livro as viagens de Gulliver

Além disso, o imperador, ao perceber o poder de ter um gigante ao seu lado, ordena a Gulliver que acabe com os Blefuscu. O viajante percebe a maldade de tal ato e recusa-se. Com isso, é acusado de traição e sentenciado a perder os olhos.

Gulliver antecipa-se ao perigo e foge para o reino de Blefuscu, onde tinha o rei como amigo. De lá, consegue partir em segurança para casa.

Ver também:

O Príncipe: Resumo do livro de Nicolau Maquiavel.

Resumo da Segunda Viagem de Gulliver

VIAGEM AO PAÍS DE BROBDINGNAG

Gulliver sai novamente. A bordo do navio Aventura, ele veleja pelos mares até que uma tempestade o força a atracar em uma península na costa ocidental da America do norte em busca de água doce.

Em terra, ele resolve sair para explorar até que vê seus companheiros fugindo de uma pessoa gigante. Não conseguindo chegar a tempo ao navio, é abandonado por seus companheiros e tem de se virar sozinho nessa terra desconhecida.

Logo encontra mais uma dessas criaturas, um gigante fazendeiro que o vê e o leva para casa. Olha ao redor e tudo é grande: a grama parece árvores e as árvores são tão grandes que não há nada para comparar.

Na casa do camponês, encontra Glumdalclitch, a doce filha do fazendeiro que o trata muito bem e, de certa forma, cuida dele. Percebendo o que poderia ganhar expondo uma pequena criatura dessas por dinheiro, o fazendeiro o faz de escravo, exibindo Gulliver por todo o país como se fosse um macaco de circo, fazendo-o dançar e falar sem descanso.

Resumo do livro As viagens de Gulliver - Exibição

No entanto, com tanto trabalho, ele adoece e é vendido à rainha que aceita Glumdalclitch  na corte para cuidar dele. Como Gulliver é muito pequeno para utilizar os móveis e utensílios normais, a rainha ordena que lhe construam uma casa móvel proporcional ao seu tamanho, conhecida como “casa de viagem”.

Resumo do Livro - Casa de Gulliver

Entre muitas aventuras, como lutar com vespas gigantes, lidar com o ciúmes de um anão perverso e ser carregado por um macaco, Gulliver se torna companhia indispensável da rainha, além de passar horas por dia discutindo política e legislação com o rei.

Certo dia, pede a um pajém que o leve para a costa e fica observando o mar até que uma águia muito maior que ele levanta sua casa e a deixa cair no mar. Antes de afundar, Gulliver é resgatado por um navio inglês, cujo capitão é meio cético sobre suas aventuras. Depois regressa à Inglaterra.

Breve resumo de as viagens de Gulliver

Resumo da Terceira Viagem de Gulliver

Uma Viagem a Laputa, Balnibarbi, Luggnagg, Glubbdubdrib e Japão

Depois de ficar 2 anos em casa, Gulliver é pedido por um capitão, de quem antes havia sido cirurgião em um de seus navios, para se juntar a sua nova tripulação. O capitão ofereceu-lhe um bom montante de dinheiro e ele partiu com o consentimento de sua esposa.

Passado algum tempo no mar, foram abordados por piratas e, como o barco estava muito carregado e pesado, não conseguiram fugir. Rapidamente foram rendidos e um pirata holandês que tinha certa autoridade ameaçou Gulliver e sua tripulação de lançar-lhes ao mar.

Com muita súplica e bajulação, o protagonista consegue convencer um dos capitães, que era um japonês, a não os matar. Mas ainda sim ele foi forçado a partir num pequeno bote do navio. Por muitas ilhas passou, alimentando-se somente de ovos de pássaros e das provisões que lhe foram dadas.

Após algum tempo na quinta ilha, avistou um grande objeto que obstruía a luz do sol acima de sua cabeça. Era uma ilha suspensa, e com seu telescópio conseguiu avistar pessoas sobre ela. Gritando por ajuda, ele viu a ilha descer e os homens o içaram para cima.

Resumo do Livro As Viagens de Gulliver - Ele sendo içado

Agora, já sobre a ilha de Lapúcia, o viajante pede permissão ao rei para fazer algumas observações. Ele vê que a ilha flutua por ter uma pedra magnética ao centro que, na medida em que é girada com seus pólos atrativo e repulsivo para cima ou para baixo, para um lado ou para outro, a ilha toda move-se.

Reparou também que existem grandes astrônomos que são os responsáveis por fazer os cálculos e mapear o céu. A ilha flutuante é onde fica o rei e sua família, que não podem abandoná-la. De lá, ele governa as cidades de seu reino e impõe penas para crimes e revoltas.

Gulliver, desce então à capital, onde conhece um pajem que o apresenta a cidade. Observa que as casas estavam em ruínas e que o povo era miserável. O pajem então o leva a sua casa de campo. Lá os pastos eram verdes e as plantações vistosas, diferente dos outros campos.

Ele explica que era desprezado por todos por não adotar as tecnologias que a maioria estava lutando para implementar, sendo taxado de mole ou preguiçoso. Essa nova visão tecnológica havia aparecido quando algumas pessoas visitaram a ilha flutuante de Lapúcia.

Elas voltaram cheias de inspiração para as cidades e construíram uma academia de engenheiros para pesquisar sobre agricultura, arquitetura e outras ciências, mas nenhum projeto havia sido implementado ainda. O autor, muito interessado, resolveu visitá-la.

Lá, ele vislumbra as mais malucas e peculiares teorias e projetos de cientistas. Um engenheiro queria calcinar gelo para fazer pólvora, um arquiteto queria construir casas começando pelo telhado, um cego era o responsável por compor as cores para os pintores, um médico dizia curar cólicas introduzindo… melhor pularmos o médico.

Além disso, Gulliver conheceu linguistas que queriam abolir a linguagem, propondo alternativas impensáveis e matemáticos que faziam seus alunos ingerirem literalmente as equações e teoremas para absorver o conteúdo.

O protagonista continua descrevendo os cientistas políticos da academia e resolve partir para Maldonada rumo à Inglaterra. Como não havia navio no porto para Luggnagg, resolveu empreender uma pequena visita à Glubbdudrib, uma ilha de feiticeiros que ficava a umas poucas léguas de distância.

Conversou com o governador da ilha que era um necromante que havia toda uma corte de espíritos e que invocou dos mortos figuras como Lucrécia, César, brutos, Homero, Aristóteles etc. para bater um papo com Gulliver.

Cada um contou um pouco de suas histórias, desmentindo historiadores e entendidos de filosofia. Depois disso, Gulliver viaja novamente para Maldonada, onde depois embarca para Luggnagg.

O livro As viagens de Gulliver continua narrando como o protagonista foi preso em Luggnagg e teve de esperar pelas ordens do rei. Depois de uma conversa com o monarca, logo lhe arrumaram um aposento e dinheiro para se acomodar.

Ouvira falar dos poucos imortais que residiam nessa cidade. Descobriu que eles tinham uma marca perto da sobrancelha que mudava de cor de acordo com sua idade. Logo ficou maravilhado e expressou centenas de coisas que faria se fosse imortal.

Mas, na mesma velocidade ficou repugnado quando lhe disseram que os imortais também envelhecem e que todos os males da velhice os atingem da mesma forma como atingem a uma pessoa comum. A única diferença é que eles deveriam suportar esses males eternamente.

Gulliver então viaja para o Japão, depois para a Holanda e daí viaja de volta para a Inglaterra.

Resumo da Quarta Viagem de Gulliver

VIAGEM AO PAÍS DOS HUYHNHNMS

O pequeno resumo do livro As viagens de Gulliver não acabou, na verdade, parece que já está mais longo do que prometera, mas ainda falta uma última jornada do viajante e não poderia deixar de contá-la.

Gulliver embarcou como capitão dessa vez, mas sua tripulação ficou muito doente durante a viagem e ele teve de contratar outros marujos.

Percebeu rapidamente seu erro quando esses homens o prenderam e tomaram o controle de seu navio, abandonando-o numa praia desconhecida. Neste lugar, ele conheceu alguns animais diferentes, especialmente alguns cavalos, os quais pareciam ser racionais e sabiam se comunicar. Sua reação:

“— Senhores cavalos, se são feiticeiros, como tenho motivos para crer, decerto compreendem todas as línguas; assim, tenho a honra de lhes dizer, na minha, que sou um pobre inglês que, por fatalidade, naufraguei nestas costas e peço ou a um ou a outro que, se são realmente cavalos, me deixem subir para a garupa, a fim de descortinar alguma aldeia ou casa onde possa recolher-me. Como reconhecimento, ofereço-lhes este punhal e este bracelete.”

Depois disso aprendeu algumas palavras dos cavalos e começou a caminhar, seguindo-os. Chegou a uma casa, demorando a perceber que era a moradia dos cavalos. Esses tinham criados da mesma espécie, mas o que realmente o impressionou foram os Yahus, escravos dos cavalos que se pareciam muito com seres humanos primitivos.

Os Yahus puxavam carroças com os cavalos em cima e viviam acorrentados comendo carne de burro e de cachorro, além de outros alimentos não muito apreciáveis. Nosso viajante percebe então que só não fora confundido com uma dessas criaturas por causa de suas roupas e calçados que davam a impressão de se fundir à sua pele.

Depois de um tempo, Gulliver aprendeu a língua dos nativos e passou a ter muitas conversas com os Huyhnhnms (cavalos). Descreveu para um deles, seu amo, tudo o que os homens fazem com os cavalos, o país em que morou, o governo e um pouco da sua vida e dessa sua viagem.

Seu amo ficou aterrorizado por ouvir tantas tolices, mas prometeu não ficar ofendido e se deu por convencido. O narrador-protagonista continua explicando como os homens do governo utilizam o intelecto para as guerras e como a justiça e os homens encarregados de operá-la e aplicá-la são mais falhos do que justos.

Continua ainda por diversas páginas criticando a política, apontando as deficiências do corpo humano e ironizando a incapacidade da medicina de curar as enfermidades. Relatou uma pequena parte das imperfeições e maldades dos seres humanos, poupando seu interlocutor e protegendo sua pátria e seus compatriotas.

Após isso, conheceu melhor os Yahus (humanos) e os Huyhnhnms (cavalos), esses últimos são dotados de extrema polidez e virtude e os primeiros de vício e ganância.

Mesmo sendo tratados por Gulliver como sendo de extrema virtude e de princípios louváveis, os Huyhnhnms desprezavam os humanos, os quais para eles eram criaturas horríveis, o que gerava um enorme preconceito.

Certo dia, o parlamento desse país resolvera impor uma pena de banimento ao protagonista, que teve de partir das terras dos cavalos. Eles não conseguiam concordar com o fato de que o homem fosse digno de permanecer com eles, mas também não queriam deixá-lo com os outros Yahus.

Em uma embarcação improvisada, construída de última hora, partiu muito triste por ter de voltar à Inglaterra. Parando em uma ilha para procurar provisões, encontrou alguns aborígenes que o puseram para correr, atingindo-lhe uma flecha na perna.

Alguns portugueses o acharam e, para sua surpresa, o trataram muito bem, oferecendo-lhe passagem grátis para Lisboa. Gulliver havia se acostumado tanto com as virtudes dos cavalos e com o desprezo pelos homens que passou a se isolar e a ter aversão ao contato com qualquer um.

Ao voltar para sua casa, não demonstrou qualquer afeto por sua família, voltando a ser um homem comum somente após alguns anos.

Ao final do livro, o narrador explica suas razões para tê-lo escrito, dizendo que não buscava glória nem exaltação, mas somente ser útil. Afirma ainda a total veracidade de todas as suas viagens e encontros.

Nota: A edição que li tratava os humanos como Yahu e não Yahoo como dizem alguns textos em inglês. Acredito que ambos os termos estão corretos, mas, por razões óbvias, optei pelo primeiro neste resumo.

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6 Comentários para “Breve Resumo do livro As Viagens de Gulliver de Jonathan Swift”

    1. Você só não gostou porque não deve ter lido até o fim. O cara explicou tudo que acontece no livro nesse resumo, até as partes mais difíceis de entender. Só faltou uma crítica, mas isso aqui é resumo e não resenha, então eu entendo.

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